'Fui muito humilhada', diz influencer Malévola Alves após deixar a prisão no Egito A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida como Malévola, publicou nesta quinta-feira (22) um vídeo em que aparece chorando e relata ter sido "muito humilhada" no Egito. Ela afirma que foi presa e sofreu abusos policiais ao lado da amiga Bruna Mercatelli, também influenciadora brasileira, por serem mulheres trans. (Assista acima.) "Eu fui muito humilhada, muito humilhada, muito humilhada. Muito hum

'Fui muito humilhada', diz influencer Malévola Alves após deixar a prisão no Egito A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida como Malévola, publicou nesta quinta-feira (22) um vídeo em que aparece chorando e relata ter sido "muito humilhada" no Egito. Ela afirma que foi presa e sofreu abusos policiais ao lado da amiga Bruna Mercatelli, também influenciadora brasileira, por serem mulheres trans. (Assista acima.) "Eu fui muito humilhada, muito humilhada, muito humilhada. Muito humilhada, gente. Muito humilhada. Eu não paro de chorar desde a hora que eu cheguei aqui no Marrocos... eu vou gravar um vídeo agora contando tudo", fala Malévola enquanto chora na gravação que postou em seu Instagram, onde tem mais de 1,4 milhão de seguidores. Segundo Malévola, os abusos foram cometidos por policiais na delegacia onde ficaram após serem acusadas de 'comportamento obsceno" nas ruas de Alexandria. Elas tinham sido detidas na terça-feira (20). Presas e abusadas por serem trans, diz Malévola Malévola gravou vídeo no qual chora e diz ter sido 'muito humilhada'. Ela postou denúncias de que ela e a amiga foram presas e abusadas por policiais por serem trans. Reprodução/Arquivo pessoal Em uma das mensagens publicadas em sua rede social, ela escreveu: "Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans. Vocês não estavam lá, não acreditem no que vocês veem na internet. Eu tive que ficar pelada e quando viram a minha vagina começaram a me tratar bem. Eu disse que não era trans. Só Deus sabe o que eu passei. Eu tô com crise de pânico, tenho ansiedade e depressão. Chegando no Brasil vou direto ao médico. Estou tendo crise a todo momento." Em outra publicação, ela afirmou: "Tudo vai ficar bem. Eu fui abusada com minha amiga por diversos policiais. Vocês não sabem o que passamos naquela delegacia e agora estão rindo. Vocês são podres. O mundo dá voltas. Um dia vocês podem passar por isso." Por fim, acrescentou: "E ver milhares de mulheres rindo disso como se fosse engraçado. Isso é cruel. Vocês vão pagar por tudo isso. Todos serão processados criminalmente." Polícia acusa influenciadora de fazer vídeos com gestos obscenos no Egito A influencer Malévola Alves Reprodução A polícia egípcia havia informado que Malévola e Bruna gravaram e postaram na internet vídeos considerados ofensivos pelas autoridades locais. Segundo a polícia egípcia, elas fizeram gestos de cunho sexual e assediaram pessoas em vias públicas. Malévola e Bruna foram soltas na quarta-feira (21) após pagarem fiança para responderem ao processo em liberdade. A defesa não confirmou o valor, mas informou que seria entre 20 mil a 40 mil libras egípcias, o que daria algo em torno de R$ 2 mil a R$ 4 mil. As amigas chegam na noite desta quinta-feira ao Brasil, segundo a defesa delas. O desembarque está previsto para às 22h30 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, segundo o advogado Jonatha Carvalho Matos. Procurada pelo g1, a defesa de Malévola e Bruna informou que irá tomar medidas para que as denúncias de transfobia e abuso policial contra suas clientes no Egito sejam apuradas pelos órgãos internacionais. "A gente pretende acionar o Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores do Brasil] para tomar as medidas cabíveis de forma diplomática, e dependendo até Comissão Internacional de Direitos Humanos, da pessoa LGBT e tudo mais", disse Jonatha. "O telefone ficou apreendido. Eles não devolveram o telefone dela. Ela está voltando ao Brasil sem o telefone." Egito tem leis contra 'atos escandalosos' Agora no g1 O Egito tem leis contra "atos escandalosos" na rua e "publicação de material imoral". O artigo 278 do Código Penal do país pune quem pratica publicamente um ato considerado escandaloso ou ofensivo ao pudor em público. A pena é de prisão de até um ano ou multa que não pode ser superior a trezentas libras egípcias (pouco mais de R$ 27). O artigo 178 trata sobre produzir ou possuir, com o objetivo de distribuir, exibir ou publicar, imagens e materiais contrários à moral pública. A pena é de até dois anos de prisão e multa de 5 mil a 10 mil libras egípcias, ou uma das duas (entre pouco mais de R$ 400 e cerca de R$ 925 reais). Advogados egípcios e a Embaixada do Brasil no Cairo, capital do Egito, também acompanharam o caso das influencers para garantir o direito de defesa delas. As amigas ainda não se pronunciaram sobre as acusações e prisões. Prisões tiveram repercussão internacional Malévola Alves e Bruna Mercatelli em delegacia no Egito em outubro de 2026. Divulgação/Ministério da Informação do Egito O advogado de Malévola e Bruna no Brasil informou durante a semana que ainda tentava esclarecer quais foram exatamente os crimes atribuídos às duas no Egito. 'Ressaltamos que a situação está sendo acompanhada de maneira contínua e prioritária, com a adoção de todas as providências necessárias, respeitando-se a legislação local e os tratados internacionais aplicáveis", disse Jonatha, advogado das influencers, por meio de nota. A prisão das brasileiras ganhou repercussão internacional após o Ministério do Interior do Egito divulgar um comunicado informando que elas foram identificadas e detidas depois da divulgação de vídeos nas redes sociais. Segundo as autoridades, as duas teriam gravado e publicado o conteúdo para aumentar o número de visualizações. Jornais egípcios criticam influencers trans Malévola postou fotos no Egito em sua rede social. Reprodução/Arquivo pessoal Malévola é uma das influenciadoras trans mais conhecidas das redes sociais brasileiras. Bruna também é uma mulher trans, segundo a defesa dela. Sua página na rede social, porém, não estava disponível até a última atualização desta reportagem. Nas reportagens sobre o caso, a mídia egípcia deu destaque ao fato de as duas serem mulheres trans e as criticou por fazerem "vídeos ofensivos". Os jornais também trouxeram informações divulgadas oficialmente pelo governo e as reações de usuários nas redes sociais. Um jornal, no entanto, adotou tom transfóbico na manchete ao dizer que a influenciadora Malévola "era um homem...". Antes da confirmação oficial da detenção, Malévola publicou vídeos relatando que ela e Bruna haviam sido levadas por policiais a uma delegacia em Alexandria e que tiveram os passaportes retidos para averiguação. Malévola já se envolveu em outras polêmicas Dona de espetinho registra B.O após confusão envolvendo influenciadora Malévola Nos últimos anos, Malévola também ganhou notoriedade por se envolver em episódios de grande repercussão pública. Um deles inclui denúncia de que foi vítima de transfobia durante uma apresentação do musical "Wicked", em São Paulo, e uma prisão por desacato e lesão corporal após uma confusão em uma festa na capital paulista.
Fonte: g1.globo.com